OS TRABALHADORES NÃO DEVEM PAGAR A CONTA DA GANÂNCIA E DA INCOMPETÊNCIA

Recuperação extrajudicial da Braskem não pode servir de desculpa para demissões, retirada de direitos e precarização

O anúncio do pedido de recuperação extrajudicial envolvendo a Braskem é motivo de grande preocupação para os trabalhadores e trabalhadoras, suas famílias e toda a região que depende direta ou indiretamente da atividade petroquímica. Diante de uma situação dessa gravidade, uma coisa precisa estar muito clara desde o início: os trabalhadores não podem e não devem ser chamados para pagar uma conta que não criaram.

Quem trabalha nas unidades, opera as plantas, realiza a manutenção, garante a segurança dos processos e mantém a produção e as plantas funcionando diariamente não pode ser responsabilizado pelas decisões empresariais, financeiras e administrativas tomadas ao longo dos anos.

Os trabalhadores não participaram das grandes decisões que levaram a empresa à atual situação. Não definiram estratégias financeiras, não realizaram operações empresariais, não escolheram administradores e não foram responsáveis pelas decisões dos grandes grupos econômicos e acionistas. Ainda assim, historicamente, quando uma grande empresa entra em crise, a primeira ameaça costuma recair sobre quem vive do seu trabalho: demissões, redução de direitos, congelamento salarial, terceirização, aumento da jornada e intensificação da pressão dentro das fábricas.

NÃO ACEITAREMOS QUE ESSE ROTEIRO SE REPITA

A crise da Braskem não pode ser utilizada como justificativa para aprofundar a precarização das relações de trabalho. Uma eventual recuperação financeira ou reorganização empresarial não pode significar recuperação dos lucros às custas do desemprego, da insegurança e do sofrimento dos trabalhadores.

É preciso discutir com seriedade como uma empresa estratégica para a indústria petroquímica brasileira chegou a uma situação tão delicada. Não é possível ignorar a responsabilidade dos grandes grupos econômicos que controlaram e administraram a companhia, especialmente a ODEBHECHT,  diante de anos de decisões questionáveis, crises de gestão e escolhas que afetaram diretamente o presente e o futuro da empresa.

Os trabalhadores não podem pagar pela ganância dos grandes acionistas, pelos erros cometidos ao longo da história empresarial e pela incompetência de administrações que não conseguiram construir soluções capazes de garantir estabilidade e sustentabilidade para a Braskem.

A referência à antiga controladora Odebrecht não pode ser apagada dessa história. Os problemas acumulados pelo grupo, suas decisões e crises tiveram consequências profundas para a Braskem. Da mesma forma, os administradores que passaram pela empresa precisam responder pelas estratégias adotadas e pelos resultados produzidos. Não é justo que aqueles que receberam altos salários, bônus e benefícios pela gestão das grandes decisões desapareçam da discussão enquanto o trabalhador é colocado diante da ameaça de perder seu emprego ou seus direitos.

DEFENDER O EMPREGO É DEFENDER A ECONOMIA DA REGIÃO

A Braskem possui importância fundamental para milhares de famílias e para toda a cadeia produtiva ligada ao Polo Petroquímico. Cada posto de trabalho direto representa muitos outros empregos indiretos, empresas prestadoras de serviços e atividades econômicas que dependem da produção industrial.

Por isso, qualquer discussão sobre o futuro da empresa precisa levar em consideração muito mais do que balanços financeiros e interesses de investidores. 

Estamos falando de empregos, famílias, comunidades e do desenvolvimento econômico de regiões inteiras.

Não se pode admitir que uma reestruturação empresarial seja construída apenas para satisfazer credores e acionistas, deixando os trabalhadores à margem das decisões. 

Quem produz a riqueza da empresa precisa ter seus direitos respeitados e suas representações sindicais precisam participar do debate sobre os impactos que qualquer processo de reorganização poderá provocar.

É necessário destacar o papel fundamental da mão de obra altamente qualificada neste momento de retomada do Setor Petroquímico. Não se produz resinas petroquímicas, borracha e demais derivados sem esta indispensável mão de obra.

O SINDIPOLO defenderá que toda medida adotada tenha como prioridade a preservação dos empregos, dos direitos e das condições de trabalho. Não aceitaremos demissões, programas de redução de custos baseados no corte de trabalhadores ou qualquer tentativa de utilizar a crise como instrumento para retirar conquistas históricas da categoria.

TRANSPARÊNCIA E RESPONSABILIDADE

Os trabalhadores têm o direito de saber qual é a real situação da empresa e quais são os planos para o futuro. É fundamental haver transparência. Não podemos aceitar que informações importantes sejam escondidas enquanto os trabalhadores convivem com rumores, insegurança e medo.

Também é preciso reafirmar que a busca por equilíbrio financeiro não pode comprometer a segurança. Em uma indústria petroquímica, cortar custos de forma irresponsável pode colocar vidas em risco. Redução de efetivo, diminuição de investimentos em manutenção saúde, cortes nos exames médicos para diminuir custos no ASO (Atestado de Saúde Ocupacional), pressão excessiva por produtividade e precarização das condições de trabalho são caminhos perigosos e inaceitáveis.

Não existe recuperação sustentável baseada no adoecimento dos trabalhadores, na sobrecarga das equipes ou na redução das condições de segurança.

A RESPOSTA DOS TRABALHADORES É UNIÃO E ORGANIZAÇÃO

Momentos de crise exigem atenção, união e organização. É justamente quando os trabalhadores estão divididos e enfraquecidos que aumentam as tentativas de retirar direitos.

Por isso, fortalecer o sindicato é fundamental. (SINDICALIZE-SE, UNA-SE A QUEM LUTA PELOS SEUS DIREITOS) Um sindicato forte, organizado e combativo é a principal ferramenta coletiva dos trabalhadores para acompanhar as decisões empresariais, exigir transparência, defender empregos e impedir que a categoria seja tratada como variável de ajuste de uma crise que não provocou.

O SINDIPOLO seguirá acompanhando cada passo dessa situação e cobrará respostas claras da empresa. Defenderemos os trabalhadores em todas as instâncias necessárias e não aceitaremos que o futuro da categoria seja decidido sem diálogo e sem respeito à representação sindical. 

Nossa posição é clara: Os trabalhadores não são responsáveis pela crise e não podem pagar por ela.

Se existem dívidas, erros de gestão e decisões empresariais equivocadas, que os responsáveis assumam as consequências. A reorganização da empresa, deve ser feita com responsabilidade social, preservação dos empregos, manutenção dos direitos e garantia das condições de segurança e saúde física e mental.

 A Braskem surgiu da fusão de várias empresas, foi construída e é mantida pelo trabalho de milhares de homens e mulheres que dela retiram o sustento de suas famílias. São os trabalhadores que mantêm as plantas funcionando, enfrentam jornadas, riscos e pressões e produzem diariamente a riqueza da empresa.

Não aceitaremos que, depois de anos de dedicação e trabalho, sejam justamente nós os escolhidos para pagar a conta.

OS TRABALHADORES NÃO DEVEM PAGAR A CONTA DA GANÂNCIA E DA INCOMPETÊNCIA!

NÃO ÀS DEMISSÕES! NÃO À RETIRADA DE DIREITOS! NÃO À PRECARIZAÇÃO!

DEFENDER O EMPREGO, OS DIREITOS E A SEGURANÇA É DEFENDER OS TRABALHADORES E O FUTURO DA INDÚSTRIA PETROQUÍMICA! 

SINDICALIZE-SE! VAMOS FORTALECER QUE LUTA POR NÓS.

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