QUÍMICOS E PETROQUÍMICOS QUESTIONAM MODELO DE REESTRUTURAÇÃO DA BRASKEM

“A Braskem não pode ser submetida à lógica estreita da reestruturação focada exclusivamente na redução de despesas e no equacionamento de dívidas, prática recorrente em modelos de gestão orientados pelo rentismo financeiro”, afirmam os sindicatos dos petroquímicos do Rio Grande do Sul, São Paulo, ABC Paulista, Duque de Caxias e Bahia, juntamente com a Federação Única dos Petroleiros (FUP), o Sindipetro Bahia, em nota conjunta com a Confederação Nacional do Ramo Químico (CNQ-CUT), a FETRAQUIM/RJ, a FETQUIM/SP.

A Braskem é uma empresa transnacional — a maior petroquímica da América Latina e a sexta maior do mundo — estratégica para toda a cadeia do setor no Brasil. Sua importância ultrapassa qualquer operação financeira ou rearranjo societário: trata-se de um ativo fundamental para o desenvolvimento industrial, a soberania produtiva e a geração de milhares de empregos qualificados no país.

Nesse contexto, a CNQ-CUT e suas entidades filiadas, com bases de trabalhadores e trabalhadoras nos polos petroquímicos (SINDIPOLO/RS, FETRAQUIM/RJ, FETQUIM/SP, FUP, Químicos do ABC, Químicos de SP, Sindiquímica Caxias/RJ e Sindiquímica/BA), acompanham com atenção e preocupação as recentes definições sobre a nova estrutura de controle da Braskem. As mudanças decorrem da operação anunciada no dia 15 de dezembro, que transfere cerca de R$ 20 bilhões em créditos dos bancos credores da Novonor (ex-Odebrecht) para a IG4 Capital, alterando de forma significativa a governança e a condução estratégica da companhia.

Pelo modelo comunicado, a IG4 Capital passa a deter a maioria do capital votante da Braskem, assumindo a indicação do CEO e da diretoria financeira, além de concentrar a condução do processo de reestruturação econômica da empresa. O Conselho de Administração será composto de forma paritária entre Petrobras e bancos/IG4, com a presidência a cargo da Petrobras.

No campo operacional, há sinalização de que a Petrobras desempenhe um papel mais decisivo, num setor fundamental para a vida cotidiana da população. Trata-se de um setor estratégico, cujo situação financeira e de gestão, tem que ser enfrentado a partir de decisões e ações que atendam aos interesses da coletividade.

Ainda que se afirme a continuidade operacional da Braskem, o novo desenho acende um alerta para os trabalhadores e trabalhadoras. Não estão claras as definições sobre a estrutura de gestão de pessoas, recursos humanos, política de emprego e, sobretudo, sobre quem será responsável pelas decisões que impactam diretamente os postos de trabalho, as condições laborais e os direitos históricos da categoria.

A indefinição dos canais de interlocução institucional cria um cenário de insegurança para os trabalhadores e para as organizações sindicais com atuação nas unidades localizadas nos estados do Rio Grande do Sul, São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia — regiões estratégicas para as indústrias química e petroquímica.

As entidades do Ramo Químico da CUT reafirmam que a Braskem não pode ser submetida à lógica estreita da reestruturação focada exclusivamente na redução de despesas e no equacionamento de dívidas, prática recorrente em modelos de gestão orientados pelo rentismo financeiro.

Trabalhadores e trabalhadoras não são custos: são o principal patrimônio da empresa, responsáveis pela operação segura, pela inovação tecnológica e pela continuidade produtiva.

Qualquer processo de reestruturação precisa considerar, além da governança corporativa e dos números, a dimensão social do trabalho, o diálogo permanente com as representações sindicais e o compromisso com um projeto industrial voltado ao desenvolvimento nacional.

A CNQ, as federações e os sindicatos signatários estão abertos ao diálogo com os segmentos envolvidos na nova configuração da Braskem, com o objetivo de assegurar a defesa dos empregos, a manutenção dos direitos e o fortalecimento da indústria petroquímica no Brasil.

Sem trabalhadores valorizados, não há indústria forte.
Sem indústria forte, não há soberania nem desenvolvimento.

Confira o Comunicado das entidades na íntegra:

Assessoria de Comunicações 30/12/2025 12:59:27

28 DE DEZEMBRO: DIA DO PETROQUÍMICO/A

Neste 28 de dezembro, quando é celebrado o Dia do Petroquímico/a, o SINDIPOLO reafirma o respeito e seu compromisso com esta valorosa categoria.

São as trabalhadoras e os trabalhadores petroquímicos que, com conhecimento técnico, responsabilidade e coragem, garantem a produção de insumos essenciais da vida do povo brasileiro, embora muitas vezes sob condições adversas, lidando com riscos elevados e exigências extremas de segurança.

Neste dia, reafirmamos a luta por salários justos, saúde e segurança no trabalho, estabilidade, qualificação profissional e respeito. Defender os petroquímicos é defender a soberania industrial, o emprego de qualidade e um projeto de país que coloque o trabalho no centro das decisões.

Nossa homenagem é, sobretudo, um chamado à unidade e à resistência.
Sem petroquímicos não há indústria.
Sem indústria não há desenvolvimento.
E sem luta, não há conquistas.

Viva o Dia do Petroquímico! Viva a força da classe trabalhadora!

SINDIPOLO cobra empresas sobre mudança no horário do administrativo no Polo de Triunfo

O SINDIPOLO-RS está atuando junto às empresas Braskem, Innova, Oxiteno e Indorama para tratar da possível antecipação de 25 minutos no horário de entrada dos trabalhadores e trabalhadoras do setor administrativo no Polo Petroquímico de Triunfo. A medida tem gerado preocupação entre a categoria, especialmente quanto à segurança no transporte e aos impactos na rotina dos empregados.

Após tomar conhecimento da pesquisa interna feita pelas empresas, o SINDIPOLO solicitou reunião com o sindicato patronal, realizada na sede do SINDIQUIM nesta semana, para debater os principais pontos da proposta e apresentar reivindicações que evitem prejuízos aos trabalhadores.

Entre os pontos levados à mesa, o SINDIPOLO destacou:

Ponto de apanho: com a antecipação do horário, muitos trabalhadores precisarão sair de casa ainda mais cedo, o que pode gerar risco, especialmente para quem mora no início das linhas de transporte. Por isso, o sindicato solicitou que o trajeto até o ponto de embarque não ultrapasse 500 metros e que os itinerários sejam ajustados conforme a necessidade.

Caráter provisório da alteração: o SINDIPOLO defende que a mudança tenha duração limitada ao período das obras nos trevos de Nova Santa Rita, que estão impactando o trânsito na região. Foi sugerido um prazo inicial de três meses, com possibilidade de prorrogação por mais três, se necessário.

Lanche no início da jornada: como a entrada será mais cedo, o sindicato propôs que as empresas ofereçam lanche de desjejum aos trabalhadores/as durante o período da alteração.

Antecipação do horário de almoço: para compensar a entrada antecipada, o sindicato sugeriu que o horário de almoço também seja adiantado em 30 minutos.

Durante a reunião, quando as empresas foram questionadas sobre os impactos da mudança para os trabalhadores e trabalhadoras que estudam ou que têm filhos em creche, a resposta por parte dos advogados do SINDIQUIM foi alarmante: afirmaram que as empresas não estariam preocupadas com esses casos, por se tratarem de uma “minoria”. O SINDIPOLO rejeita essa posição, pois não se trata de uma minoria irrelevante. Uma parcela significativa da categoria — especialmente os trabalhadores com menos de 35 anos — está atualmente cursando o ensino superior. Além disso, as responsabilidades familiares, como a criação de filhos pequenos, afetam diretamente a rotina e o bem-estar dos trabalhadores, sendo inaceitável que sejam ignoradas nas decisões sobre jornada.

Turno permanece inalterado

É importante destacar que a proposta de mudança atinge apenas os trabalhadores e trabalhadoras do administrativo. Para quem atua em regime de turno, continua vigente o Acordo Coletivo Específico (ACT-Turno), que regula as escalas. Caso seja necessária alguma alteração também para os turneiros/as devido às obras, o SINDIPOLO se compromete a chamar a categoria para debate, preservando o direito ao estudo e evitando qualquer prejuízo.
Compromisso com a categoria

O SINDIPOLO segue acompanhando de perto a situação e reafirma seu compromisso com a defesa dos direitos, da segurança e da qualidade de vida da categoria petroquímica. Nenhuma alteração será aceita sem diálogo transparente e medidas que assegurem condições adequadas de trabalho.